Trata-se de uma conversa entre produtores, cujo primeiro encontro aconteceu no live do Facebook na passada quinta-feira e hoje assinala a segunda edição, as 19 horas na página Wilson Algo Desconhecido. Na primeira pessoa, o produtor que já trabalhou com Monsta, Mc Koringa, NGA, Prodígio, Deezy e outros grandes nomes da música internacional, descortinou as razões da sua mais recente criação.
Antes de mais, a que se deve o pseudónimo Algo Desconhecido?
Sou multifacetado e tenho vários ofícios, além disso sempre procuro fazer o que ainda não foi feito. Esses outros motivos originaram o Algo Desconhecido, não é apenas um nome, é um modo de vida.
Como é que começa a paixão pela produção?
Comecei a produzir em 2007. Já cantava e tinha vários amigos produtores, na altura era nosso costume enviar um programa novo(não apenas sobre música) para quem não tivesse. Um dia recebi o FL Studio 7 e comecei a explorar. Depois senti a necessidade de produzir o que tinha na minha cabeça e muitos produtores não conseguiam criar.
E partir de que momento é que isso toma maiores proporções?
No início era só passa tempo, já recebia vários convites para trabalhar em estúdios, mas não aceitava por não ser meu sonho viver e trabalhar profissionalmente. Em 2014 tive de interromper a minha licenciatura por motivos de força maior, e a partir daí comecei a trabalhar profissionalmente. Não tinha escola ou centro de formação nessa área, por isso tive de investigar na internet, ler livros e produzir muito.
E quais são os frutos desse trabalho de anos?
Graças a Deus, hoje vivo disso, aprendo diariamente e ganho mais experiência. Já tenho uma certificação em Mistura e Masterização.
Com que artistas de destaque já trabalhou?
Nato P3, Monsta, Mc Koringa(Brasil), NGA, Prodígio, Deezy, Os Namayer, Andanda(Brasil) Jayvie(Nigéria) e muitos outros.
Concorda que os artistas é que colocam o nome dos produtores no auge?
Na minha opinião, não! Ganhamos nomes consoante o nosso trabalho, tempo de trabalho, número de trabalhos. Exemplo: por regra, num álbum não vai tag(intro) do produtor na música, o seu nome aparece na ficha técnica, mas quem baixa na net, nem sempre lê essa parte e alguns músicos não falam sobre quem produziu, desse jeito fica difícil ganhar nome. Tenho certeza que já ouviu muitas músicas que não sabe quem produziu.
Tem tido o reconhecimento que merece?
Ainda não estou aonde eu quero estar, mas já não estou no mesmo lugar. Eu me reconheço e isso vem em primeiro. Ganhei respeito de muita gente que não conheço, de pessoas que admiro.
O que é necessário para ser um bom produtor?
É necessário trabalhar muito!
Considera que um autodidacta, depois de muito tempo de trabalho pode vir a ser um bom produtor?
Eu e muitos outros somos exemplos disso.
Onde é que se vê daqui a dois anos?
Me vejo onde Deus quiser.
Existe vários produtores no mercado, como é que lida com a competitividade?
Lido na boa. Respeito o trabalho de todos, trocamos experiência. Não me intimido com o trabalho deles, invés disso trabalho mais para melhor as minhas produções.
Está associado a alguma produtora?
Sim. Sou CEO da produtora Outro Mundo.

Como surge o programa ‘Bengha Producers’?
Ao longo desses anos notei que os produtores angolanos não têm recebido o devido valor e reconhecimento. Senti a necessidade de fazer um programa que existia em Angola, até ao momento, onde a estrela é produtor.
Qual é o objectivo?
Ensinar sobre produção, conversar com os produtores mais destacados acerca das músicas que produziram e dar mais visibilidade aos que se encontram no anonimato. Quero fazer o que não fizeram por mim.
Estreou na passada quinta-feira, como avalia a recepção da comunidade musical?
Melhor do que eu esperava! Recebi muitos parabéns por parte de outros produtores e não só, pela iniciativa e várias pessoas têm divulgado a informação e estado atentas as lives.
O que está reservado para as próximas edições?
Alguns produtores angolanos de renome já aceitaram o convite, e também terá participação de produtores internacionais.