Após vencer adversidades do Moda Luanda, organização prepara-se para concretizar os Globos de Ouro em Outubro

Há pouco menos de três meses, a frase “Adiado até data a anunciar” era a mais lida e ouvida nas notas de imprensa, páginas oficiais e chamadas telefónicas de reserva de credenciais. Contra todas adversidades, ultimamente, os organizadores de eventos locais têm vindo a se reinventar com novos artifícios para tornar as actividades de calendário possíveis. Passados alguns dias após a realização da 23ª Edição do Moda Luanda, a Carga Magazine falou com a organização do evento, não só para fazer um balanço do evento, como também perceber quais os maiores desafios da indústria do entretenimento nestes tempos de resguardo.

Apesar de ser um prémio voltado para o segmento da moda, as galas Moda Luanda têm sempre grande impacto nas outras formas de entretenimento, como a música, humor, TV e Cinema e assim foram premiadas várias figuras publicadas.

Acostumada a inovar, a ousada produtora que elevou a fasquia no ano transacto tendo como passerelle dos desfiles uma “pista” de água, com o principal objectivo de consciencializar sobre o consumo racional do recurso natural mais precioso. Este ano a Step realizou o evento sem plateia, e apesar do balanço positivo, não foram poucos os empecilhos, a começar pelas dificuldades financeira que se observa.

Sete perguntas à Karina Barbosa

Qual é o balanço que faz da 23ª Edição do Moda Luanda?
O balanço que faço é muito positivo, as colecções apresentaram um nível bastante interessante e muita diversidade tivemos novas seis marcas que se apresentaram no moda Luanda, nomeadamente: Conquistador, La atitude, Wan Kiamy, LayArt, Celeste Mampuya, e Sisters Paiva, estas marcas tiveram a oportunidade de se mostrar ao mercado nacional e internacional já que o Moda Luanda foi transmitido também através de um streaming pela Platinaline para todo mundo, e a nível nacional através da TV Zimbo, foi realmente uma grande oportunidade para estas principiantes e para as habituais no Moda Luanda, fazerem chegar ao público e a imprensa o seu trabalho. Em termos de caras novas tivemos também muitos modelos novos, tivemos 9, no grupo de 22, que são talentos novos da moda nacional.


As condições em que se realizou não tornou o evento quém do vosso objectivo?
Estamos muito satisfeitos, porque independentemente de o desfile ter sido feito no formato virtual sem público, conseguimos na mesma passar o talento, as tendências, e as criações que estão a ser feitas nos atelier do nosso país, acredito que a moda nacional está muito bem e recomenda-se, espero que mais pessoas apoiem as criações nacionais.

Face às imposições da crise de saúde mundial, quais foram as maiores dificuldades para a realização do evento?
Face às imposições, as maiores dificuldades foram realmente o distanciamento, o facto de termos trabalhado com apenas 25% do staff que normalmente assegura o Moda Luanda, e foi triste porque houve muitos criadores e modelos que não puderam participar, por causa das limitações. Outra grande dificuldade foi não podermos ter público, é muito estranho os modelos estarem a desfilar para um estúdio sem público e sem ninguém a aplaudir. Foi uma pena não termos os nossos nomeados para o Moda Luanda, que tiveram de acompanhar tudo através do Zoom e da televisão, não podendo receber o prémio na hora e fazer o seu discurso de agradecimentos, este é sempre um momento de prestígio para os artistas.

A par destes…
O enorme desafio foi a questão financeira, toda  gente sabe que Angola enfrenta uma crise financeira brutal, sendo muito difícil conseguir-se valores para se fazer seja o que for então, para manter de pé o moda Luanda com a qualidade que nós propusemos, os convites que enviamos  as pessoas para que e assistissem por via da televisão, para que não se perdesse parte da experiência daquilo que é o moda Luanda, todos os cenários que foram construídos.

Foram construídos três minis estúdios, certo?
Sim, estúdio dos desfiles, estúdio das atuações e o estúdio dos comentadores de moda, isso tudo foi uma logística muito grande, a parte tecnológica de ter que as pessoas no ar através do Zoom e  através do Skype,  de se por os vídeos que já tinham sido pré gravados no ar isso tudo incluí uma gestão técnica muito grande e isso realmente foi um grande desafio mas graças a Deus o resultado foi bastante positivo. Uma ou outra falha técnica mas tirando isso foi bastante positivo, e estamos a ter um feedback muito bom, os estilistas estão muito satisfeitos e estão a ter boas vendas e contactos por parte do publico com relação as coleções, então a Step pode dizer que a missão foi  cumprida  com sucesso.

Inicialmente marcado para o mês de Abril num formato comum, como considera a `readaptação´ para o digital?
A adaptação para o digital foi uma adaptação possível e foi feita de forma criativa para que as pessoas vissem um evento diferente mas dentro da essência daquilo que é o moda Luanda, o ponto essencial e  primordial sempre foi e será promover, dinamizar alavancar a moda nacional, então os actores principais do moda Luanda são: os estilistas, as marcas nacionais, eles é que são as estrelas do moda Luanda, mas seguidos de todos os modelos e da equipe que trabalha nos bastidores para assegurar o evento, todos os artistas que estão prestigiados nos troféus moda Luanda, mas sem nunca esquecer que os estilísticas e as marcas nacionais são os principais motivos da existência do moda Luanda. Obviamente que adoramos ver o Edgar Domingos, a Ana Joyce, Liriany a Whitney que é uma estreia no mundo artístico, isso tudo embeleza o evento, do carisma, de mais entretenimento, mas o objetivo principal é sempre mostrar as novas criações e tendências das marcas nacionais.

E já agora, porquê a escolha do ` Neon Vibes´como mote?
O tema Neon Vibes foi escolhido em primeiro lugar porque o Neon é uma das grandes tendências a nível  mundial, em segundo lugar porque o tema foi escolhido antes do Covid-19 e foi na sequência da grande crise económica que Angola atravessava  e que  deixou as pessoas um deprimida  e para baixo, um pouco sem animo e sem saber como seria o futuro então nos achamos nada como a cor Neon para animar as pessoas.

Sobre os Globos de Ouro
Após a realização de mais um evento, com sucesso, não obstante aos obstáculos, a Step em conjunto com a Platinaline, prevê a realização d´Os Globos de Ouro em Outubro, mantendo a parceria de transmissão com a TV Zimbo.  Os nomeados estão definidos e devem ser anunciados em Setembro, quanto ao formato, Sarchel Necésio, um dos mentores da iniciativa, adiantou que os nomeados estarão presentes no evento.

Os Globos de Ouro Angola é uma gala de premiação de Angola, que prestigia o trabalho de profissionais e artistas de diversas áreas, destacando anualmente as pessoas que mais brilham e que mais alto elevam a sua arte e ofício, destacando-se dos demais através de exímias performances e desempenhos extraordinários, marcantes e inspiradores.



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