Documentário reapresenta Reino do Kongo na óptica africana

Nas palavras do autor Ne Kunda Nlaba, o filme não ficcional chega para “desconstruir” tudo o que nos foi ensinado sobre o Reino do Kongo, intitula-se “Reino do Kongo: Em busca do reino destruído” e vai estrear no próximo sábado, dia 26 de Junho, na Mediateca de Luanda.

São 104 minutos filmados entre Angola e a República Democrática Congo, em que o produtor e realizador, juntamente com a sua equipa, convida-nos a abandonar os livros e leva-nos à uma viagem reflexiva em torno “deste grande estado destruído”.

À Carga Magazine, o cineasta dá detalhes sobre a concepção de “Reino do Kongo: Em busca do reino destruído” e, partilha a sinopse detalhada do extinto Kongo Dia Ntotela, dando pistas que este documentário pretende ser um filme histórico de viagens e descobertas que une o passado e o presente.

“Além das escavações arqueológicas, os escritos de historiadores, sociólogos e antropólogos do Kongo e a tradição oral também nos ajudam a reconstruir essa rica história usando livros, correspondências entre os reis do Kongo e portugueses, retratos, testemunhos de chefes tradicionais e guias do Museu dos reis do Kongo”.

Como está composta a ficha técnica do documentário “Reino do Kongo: Em busca do Reino destruído”?
A ficha técnica está composta por roteirista, Productor e Diretor : Ne Kunda Nlaba, Narracçao: Abilio Matusse Junior, Camera/Angola: Ne Kunda Nlaba et Mfumu Ntoto Dikizeko, Camera/Muanda-Congo: Rubugenga Issa, Edição: Ne Kunda Nlaba, Edição e mixagem de som : Singev Tavarez, Empresa de produção : Labson Bizizi-Cine Kongo, Distribuição: Afrika Bizizi Distribution Ltd.

Quanto tempo durou a concepção do documentário?
Teve a duração de dois anos e meio, começamos em 2017 as gravações em Angola e no Congo e a pós produção já foi feita em 2019. A primeira estreia do documentário foi feita num festival de cinema de autores negros no Canadá.

Em termos financeiros, considera-o dispendioso?
Para se fazer este tipo de documentário requer muito investimento, pois vivo em Londres e tive que gastar nalgumas viagens para Angola. Não só as viagens internacionais como as interprovinciais até Mbanza-kongo. A pós-produção também foi dispendiosa por causa da produção dos sons e dos arranjos.

Num computo geral, quais as maiores dificuldades na montagem deste género de filme que por norma não deve ser ficcional?
O grande desafio foi o financiamento, não contamos com o apoio de nenhuma instituição governamental, tivemos que juntar dinheiro para concretizar o projecto. A busca da informação para este tipo de trabalho requer muita pesquisa e as informações disponíveis em livros, foram escritas por europeus e é sabido que quando o europeu conta a história sobre o colonialismo, conta de acordo com o seu ponto de vista e nesta obra não ficcional, vamos mostrar que foram os europeus que provocaram o declínio deste grande Reino.

Já agora, os seus projectos demonstram uma certa preocupação com a historiografia. Por quê Kimpa Vita e agora Reino do Kongo?
Penso que temos uma grande missão, que é divulgar a nossa história e origem. Começamos por Kimpa Vita por ser a mãe da revolução africana, porque acreditamos que a história de Kimpa Vita deve ser conhecida pelo mundo. Trata-se de uma mulher de 20 anos que lutou contra o tão poderoso colonialismo, defendeu os interesses de África e os africanos que estavam cativos física e mentalmente.

Kimpa Vita lutou para acabar com o colonialismo e reconstruir o reino do Congo e por isso merece a nossa honra. Neste mesmo documentário, também falamos do Reino do Kongo, pois é impossível falar de um sem mencionar o outro, Kimpa Vita é especial para nós por isso merece ser conhecida pelo mundo, ela fez história num lugar que hoje é conhecido como património da humanidade.

Que ilações pretendem que público tire deste projecto?
Há muitas lições que o público pode tirar deste projecto, até então se acreditava que o Reino do Kongo era um reino muito pequeno, uma juncão do Congo com uma pequena parcela de Angola, vamos desmistificar isto. Alguns historiadores e vestígios que encontramos mostram que na verdade o Reino do Kongo era muito grande, começava no Sul da Namíbia, passava pela Guiné equatorial e até ao Chade… As pessoas vão aprender que o Reino não foi constituído na chegada dos europeus, pois já era desenvolvido.

Se invés de falar das instituições financeiras, o sistema de educação, os artefactos, os artistas que trabalhavam no Reino do Congo e muitas outras coisas que as pessoas nem têm noção que saíram do Reino Congo. Por exemplo, boa parte do povo que ajudou a erguer o Reino Egípcio saiu do Reino do Congo. Tivemos que analisar este ponto de vista e usar fontes contraditórias, mas acabamos por ouvir e buscar mais a versão dos africanos, para além disso tínhamos que encontrar um sítio para investir o nosso saber.

Como estão a ser vividos os momentos que antecedem o espectáculo?

Estão a ser vividos com bastante expectativas, como cineasta e historiador vivemos para este momento, fizemos filmes para que o público assista e dê o seu feedback. Houve alguns festivais que não consegui me fazer presente por causa da pandemia e, já estamos com saudades de momentos como este.

Foi premiado pelo documentário “Kimpa Vita: A Mãe da Revolução Africana”, que outros projectos da sua trajectória cinematografica pode destacar?
A lista é enorme, produzi muitos filmes, dentre eles o «The Next» (2009), «The Steel Pan» (2010) , « Living Without Living » (2011) , «Chérie Bondowe» (2012), «Abeti Masikini : Le Combat d’une Femme» (2015), «Kimpa Vita: A mãe da revolução africana» (2016), «Reino do Kongo: Em Busca Do Reino Destruído» (2020), «Afro Beat» longa-metragem de ficção em desenvolvimento. São muitos que gostaria que as pessoas assistissem e acredito que destacaram-se.

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