Galáxia, o espectáculo de teatro musical que pretende despertar o angolano da lobotomia

Resultante do hiato Teatro, Dança e Música, o Musical é um género de teatro pouco visto em Angola, mas que traz, na sua génese, experiências inesquecíveis, tanto para quem assiste e igualmente para os protagonistas.

A celebrar o Dia Mundial do Teatro, o grupo Enigma Teatro leva ao palco da Liga Africana o espectáculo “Teatro Musical Galáxia”, nos dias 25 e 26 deste mês, com o elenco multifacetado, com os artistas Amélia Trosso – Soprano, Helton Agú-Água – Performer, Julieta Trosso – Mezzo, Jéssica Pedro – Dançarina, Kaza Ngoma – Percurcionista, Mariana Trosso – Soprano, Manuel da Costa – Actor, Tetembwa Ya Mwika – Soprano, Wilson Cavela – Actor, Zatara Bunga – Barítono Atenorado.


Inventivo, o Projecto Cultural e Artístico, “Galáxia – Teatro Musical”, caracteriza-se na sua Forma e Conteúdo; as músicas cantadas são clássicos de musicais da Broadway, adaptados à nossa língua, onde a perfomance casa perfeitamente com histórias, músicas e danças africanas (angolanas), interpretado por especialistas e técnicos na área.

Segundo detalhou Tony Frampenio – encenador e director artístico do projecto, o Espectáculo Galáxia, cujo enredo se desenrola entre “um sonho que também pode ser um pesadelo”, a mensagem que se propõe é que ninguém durma, que ninguém sonhe ao ponto de ter pesadelos, propõe que se despertem e vão atrás dos sonhos com os olhos abertos.

Galáxia, o espectáculo de teatro musical que pretende despertar o angolano da lobotomia

O teatro musical combina canções, dança, e diálogos falados. O espectáculo Galáxia vai contemplar todas estas disciplinas?
Sim. O Galáxia combina várias disciplinas e, claro, tratando-se de um “teatro musical” a música, a dança e os diálogos são elementos artísticos, que combinados, agregando outros signos artísticos como as artes plásticas, por exemplo, fazem eclodir o género “teatro musical”.

Com um elenco de sete artistas em palco, como estão salvaguardadas as medidas de segurança impostas?

É quase impossível manter os artistas distanciados, como se tem apelado pelas autoridades sanitárias. Mas para que houvesse segurança e confiança entre os artistas, começamos a trabalhar distanciados, protegidos com as máscaras e usando o álcool em gel, sempre que necessário. Verão que algumas cenas que deviam mostrar algum contacto foram evitadas e criadas metodologias que ao longo do tempo fomos aprimorando. Ainda sobre este aspecto de biossegurança, tivemos que reformular o conceito do teatro convencional para algo experimental, distanciamos os espectadores dos artistas trocando o palco pela plateia e vice versa.

Fazem todos parte do mesmo grupo ou trata-se de uma espécie de projecto colaborativo?
Apesar de a iniciativa ser da Companhia Enigma Teatro, trata-se de um projecto colaborativo. O Enigma de “per si” não conseguiria tomar conta das nuances que o teatro musical exige. É a nossa primeira experiência do género e, para concretizarmos este desiderato, foi mesmo necessário colaborar com diversos especialistas que sem os quais não teríamos o resultado que vamos mostrar no palco.

O musical é uma forma de teatro pouco vista em Angola, consideram-no de difícil execução?
Sim. Como já dissemos, é a nossa primeira experiência do género. Mas não é apenas por esse motivo. Há muitos outros factores que tornam a execução de um espectáculo desta dimensão cá em Angola, desde a formação, os exíguos recursos pecuniários que as artes pouco ou nada auferem, até às precárias condições técnicas e as inexistentes infraestruturas para ensaios e espectáculos. Podíamos aqui enumerar intermináveis factores que tornam difícil trabalhar a um nível profissional há muito sonhado. Mas no preferimos arriscar, fazendo o possível e o impossível para mostrar que se houver melhores condições, nós somos capazes. Porque somos artistas como qualquer outro artista.

Quais os outros agrupamentos que realizam actividades do género em Angola?

Eu não conheço. Sei que houve uma iniciativa de alguns estudantes do ISART – Instituto Superior de Artes e do CEART – Complexo das Escolas de Artes, que homenagearam, primeiro, o Kizua Gougel e depois um outro cantor cujo nome não me lembro agora. Foi um iniciativa efémera e muito diferente do nosso trabalho que já se tem apelidado de “ousadia”. Mas nós a denominamos de “teatro da resistência”.

E em termos financeiros, consideram despendioso?
Só para ter ideia, na Broadway, os musicais não saem para o público com uma produção de menos de 1 milhão de dólares. Estamos a falar do Primeiro Mundo. Imagina agora fazer um musical num país considerado do “terceiro mundo”? Um musical é caro em qualquer parte do mundo. Nos países do primeiro conhecem o valor das artes e a sua função social porque aprendem isso na escola, desde os ciclos de iniciação. Aqui, nos países “subdesenvolvidos”, mesmo sendo ricos em minerais raros, não valorizam as artes por falta de conhecimento. Nem vão acreditar que vamos realizar um espectáculo de “teatro musical” até que se prove o contrário. Mas no Rio de Janeiro são mecenas do carnaval. Infelizmente somos assim. É essa a nossa pobreza.

No compupto geral, quais as maiores dificuldades na montagem de um musical?
As maiores dificuldades na montagem de um “musical” são os recursos financeiros, que sem os quais, não consegues reunir os diversos artistas das diversas disciplinas artísticas, nem os técnicos de luz, som, orquestra, figurinistas, cenógrafos, etc. É preciso um grande investimento.

Como surge a ideia de adaptar clássicos de musicais da Broadway à nossa língua?
A ideia surge no ISART, numa aula de actuação no curso de música, onde sou professor. O programa do 3.º ano diz que os estudantes precisam apresentar um musical. Eu vi que cantavam em italianos, russo, latim, espanhol. Menos Kimbundu, Umbundu, Kikongo ou Português. Foi aí que nasceu a ideia.


Quanto tempo foi necessário para a concepção?

Já estamos neste imbróglio desde 2019. Há 1 ano e sensivelmente 6 meses. O espectáculo devia ser estreado em Março de 2020, mas a Covid nos arrastou até 2021, no mesmo mês de Março, tudo para saudar o dia mundial do teatro e fazer algo diferente.

Ao todo, quantos profissionais estão envolvidos no projecto?
55 membros, entre artistas de palco e técnicos de bastidores.

“Galáxia é um sonho, mas também pode ser um pesadelo.” Que ilações pretendem que público tire deste espectáculo, que é, de certa forma, ambíguo?
Os angolanos, digo nós, somos um povo muito sonhador. É bom. Mas às vezes vivemos sonhando. Esperamos que o sonho se realize. Isso pode ser um pesadelo. O que se pretende é que o público desperte deste sonho que nunca se realiza, antes que se torne um pesadelo. Aliás, tem sido assim ao longo destes 45 anos de independência, infelizmente. O espectáculo Galáxia propõe que ninguém durma, que ninguém sonhe ao ponto de ter pesadelos, propõe que se despertem e vão atrás dos sonhos com os olhos abertos.

Como estão a ser vividos os momentos que antecedem o espectáculo?
Os momentos que antecedem o espectáculo estão a ser vividos com muita expectativa, muito nervosismo e ansiedade. Esperamos quase 2 anos para realizar este sonho. Nunca dormimos. Estamos à espera do dia da estreia, depois faremos uma grande farra para desanuviar.

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