Foste Waldemar, mas cantaste livremente no teu país

A morte do músico Waldemar Bastos foi um duro golpe às nossas emoções, um soco no “estômago” da cultura e quase um K.O técnico aos amantes da música com qualidade. Sim, aqueles um pouco mais exigentes.

Angola perdeu um filho, uma biblioteca. Um autêntico defensor dos oprimidos que utilizou a música para dar voz ao povo, um senhor com ideais e bastante vertical.

Contra sua vontade, partiu para fora do país, tornando-se, praticamente, cidadão do mundo, como ele mesmo gostava de dizer. Suas músicas atravessaram fronteiras, já não era só nosso (Angola) era de todos (mundo).

“Houve uma acção muito negativa contra a minha pessoa. Inventaram muita coisa, possivelmente devido à minha música. Foi movida uma campanha muito silenciosa, eficaz e com muito maquiavelismo. Foi terrível, mau e tremendo. Por isso tive que partir”, explicou em 2018.

Fazia shows pelo mundo, mas sentia falta da sua terra natal, do carinho dos seus. 40 Anos depois regressa, finalmente, para um grande show. Foi cabeça de cartaz no Show do mês, em 2018, naquela que foi o seu último grande concerto em Angola.

“Voltar a cantar para o meu povo e como bálsamo na alma. É a primeira vez que canto livremente na minha terra”, disse na ocasião. Quem vai nos dizer para não falar política, falar da velha Xica (que lembra as nossas velhas), quem vai nos aconselhar a comprar tangerina?

Espero que não haja grandes homenagens (excepção aquelas nas redes sociais, tv ou rádio), porque continuo a defender que devem ser feitas quando estamos vivos, devemos desfrutar da nossa homenagem, nos sentir importantes, apreciados e acarinhados.

Waldemar Bastos esteve doente durante muito tempo, contou, segundo pessoas próximas, com apoio da família e amigos chegados. No momento em que precisou muitos não apareceram, por favor não apareçam agora com homenagens, respeitem o momento da família e juntos vamos chorar a partida de um camarada, pai, irmão. Cumprimenta Tenta Lando, os Irmãos Kafala, André Mingas.

Quem era?
Waldemar dos Santos Alonso de Almeida Bastos, conhecido como Waldemar Bastos, nasceu em M’Banza Kongo, capital da província do Zaire, a 4 de Janeiro de 1954.

Começou a cantar com uma idade muito precoce, utilizando instrumentos do seu pai. Após a independência, em 1975, emigrou para Portugal.

Ao longo dos mais de 40 anos de carreira, foi distinguido com um Diploma de Membro Fundador da União dos Artistas e Compositores (UNAC-SA) e com Prémio Award, em 1999, pela World Music.

Abriu o festival da Unesco “Dont forget Africa”. Cantou no principado de Mónaco, a convite da princesa Carolina.

O jornal “New York Times” considerou, em 1999, o seu disco “Black Light” uma das melhores obras da época.

Em 2018 foi distinguido, pelo Governo angolano, com o Prémio Nacional de Cultura e Artes, na categoria de Música.

Discografia
1983: Estamos Juntos (EMI Records Ltd)
1989: Angola Minha Namorada (EMI Portugal)
1992: Pitanga Madura (EMI Portugal)
1997: Pretaluz [blacklight] (Luaka Bop)
2004: Renascence (World Connection)
2008: Love Is Blindness (2008)
2012: Classics of my soul (2012)

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