Manuel Kanza: “O Kuduro não morreu, apenas está a se transformar em Afro House”

Ao contrário de muitos, a pandemia triplicou as actividades e as receitas de Manuel Kanza e o jovem revela os segredos. Ainda nesta entrevista, o dançarino de Kuduro Afro anuncia que vai abandonar os palcos em troca da produção de documentários e afirma que a dança Afro House e o Kuduro são a mesma coisa e fundamenta.

Como tem feito para contornar a problemática da pandemia ?

Estou neste momento a dar minhas aulas online via Skype e Zoom. Também tenho feito alguns documentários meus, na sequência do que já venho a trabalhar. Faço colaborações com alguns novos valores, ajudo a promover suas músicas com a minha dança, tudo a partir de casa.

Esses documentários quando é que o público terá acesso?

O público poderá consumir os documentários e outros meus trabalhos assim que estiverem prontos.

Os artistas parecem os que mais prejuízos tiveram com esta situação. Que métodos adoptou para contornar as consequências?

Não precisei adoptar nenhum método. O meu income vem mais online. Então, nesta fase só somou. Eu comecei em 2012 a fazer serviços online, esta fase não apertou muito.

Quer se explicar melhor, está a dizer que a pandemia pouco afectou as suas actividades?

De certa forma. Só não posso ter contacto
directo com os meus clientes, algo que dá mais credibilidade ao meu trabalho. É aqui onde é mais difícil gerir uma carreira com a dança, porém eu não foco muito o meu trabalho em Angola.

Por que motivo prefere focar-se mais para o exterior?

Eu percebi que o Ocidente não quer o Afro com misturas. Eles querem algo mais original e o nosso espaço ainda não foi bem explorado.

Temos conhecimento de que a sua agenda este ano passava pela Europa….

Tive alguns projectos nos EUA e na Europa, que foram cancelados por causa disso. Mas as aulas tutoriais online não pararam. Não mudou nada, aliás é nesta fase que as pessoas estão em casa e só somou mais.

Entretanto, continuará a mirar no mercado externo?

Depois da pandemia, se Deus quiser não vou ficar muito na dança. Já está na hora de entrar na área de realizador e produtor.Tenho ensaiado bastante e feito várias pesquisas. Quero entrar mais na indústria cinematográfica, porque acho que em Angola precisamos mais documentários e filmes. Vou utilizar a minha dança para formar outras pessoas, mas não para eu estar em palco.

Está a dizer que já chegou o momento de se aposentar?

Apenas quero mais tempo para as filmagens. Nós não temos livros sobre a nossa dança
Quando os pais mandam os filhos para a minha academia, eles mandam apenas para os filhos não ficarem nas ruas. Eles não sabem que a dança é um emprego. Então os documentários vão ajudar as pessoas a perceberem que a dança também dá emprego, mas ao invés de eu ficar a dançar, vou exibir as pessoas que eu formar.

Qual será o método de distribuição desses documentários?

Quero desenvolver os meus trabalhos para aplicativos como a Netflix e Bollywood, afim de promover a cultura de Angola. Tenho muitos conteúdos guardados e, no momento oportuno, vou distribuir.

Queixa-se da falta de patrocínio. O que teria conseguido se os tivesse?

Precisei de 10 anos para começar a fazer o que faço hoje. Se tivesse patrocínio, já estaria muito longe. Muitos dançarinos estão sem trabalho porque não têm como materializar suas ideias. Eu investi, comprei terreno e construí academia. Se tivesse patrocínio, a minha companhia já estaria em outras províncias.

Manuel Kanza: “O Kuduro não morreu, apenas está a se transformar em Afro House”

Ainda assim há motivos por que se orgulhar?

Antes não me orgulhava pela arte que escolhi. Não me dava dinheiro,mas agora tudo está mais a meu favor. Sinto-me feliz. Foi difícil, tive que trabalhar muito. Já fingi postando videos como se estivesse feliz, mas estive magoado por dentro.

Está sempre a insistir que a dança Kuduro e o Afro são a mesma coisa. Tem fundamento para isso?

Muita gente pensa que o Afro House é novo. Da mesma forma que existia o Kuduro que o Tonny Amado fazia, havia já um estilo mais agressivo. Depois veio o Kuduro lamento, Os Lambas e o Ndombolo, mais tarde o Agre G e depois o Cabo Snoop. Nota-se que o estilo foi mudando e é com Cabo Snoop que vem o Kuduro Afro, portanto, o Kuduro transformou-se em Afro House e muitos djs sabem disso. O Malvado e o Djeff sabem. Não costumo a falar muito sobre o assunto porque é isso que eu vendo na Internet. Concluindo, o Kuduro não morreu, apenas está a se transformar em Afro House. Os passos que se dá no Afro é o mesmo do Kuduro de antes.

A estratégia que adoptou, caso fosse aplicada pelos músicos, será que resultaria, uma vez que o custo do tráfego de dados ainda é bastante elevado?

Eu acho que os artistas, o pessoal podem render muito é só ter boa Internet. Músicos como C4 Pedro e Kyaku ganhariam milhões. Eles nem imaginam! Aqui o que vai salvar o artista é a sensibilidade para a arte. Este é o memento que os artistas devem agir.

Qual a sua opinião sobre o futuro da dança kuduro?

Só precisamos mais de criatividade interna. É bom fazer fusão com os outros estilos africanos, mas precisamos primeiro saber a nossa identidade. Muitos pensam que o Kuduro e o Afro são diferentes. Não! É a mesma coisa.

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