Rigoberto Torres reoxigena clássicos do Hip Hop no seu primeiro EP

Rigoberto Torres é um nome que pode mudar a história do Rap comercial em Angola. Apesar de começar a escrever sua história no ano passado, o cantor de  20 anos se prepara para apresentar esta sexta-feira, o primeiro EP. Intitulado “Meu Outro Lado”, na obra, o rapper procura resgatar a mística da música angolana, prestando homenagem a artistas do período áureo do Rap comencial angolano. À Carga, Rigoberto Torres apresentou as suas convicções e aproveitou para projectar o seu próximo álbum. 


Nasceu em 2000 e, com certeza, não sentiu o mesmo impacto das músicas dos artistas que homenageia. Como é foi possível fazer esta homenagem?
Como apreciante de música dos anos 90 até aos anos da primeira década de 2000, mesmo não tento vivido e sentido das músicas de Gutto e dos Warrant B tal como outras gerações sempre que ouço músicas desses artistas, sinto uma espécie de “deja vu”. É um bocado complicado explicar e estranho de perceber, porque apesar de eu não viver, estas músicas evidenciam um lado meu que demonstra amor ao RnB e Rap feito naquela altura e com este EP, pretendo mostrar ao mundo um bocado das músicas que fizeram parte da lapidação do artista que sou hoje. 


No ano passado apresentou o seu primeiro projecto, falo da mixtape Úniko. De que forma é que este trabalho o ajudou a conceber o EP Meu Outro Lado ?

Ajudou-me a fazer uma análise mais minuciosa sobre como conceber boa música. Pude fazer uma introspecção do que entregar aos meus apreciadores e como entregar, como estrututar melhor as músicas para transmitir, de forma correcta, aquilo que pretendo. A Mixtape ÚNIKO foi mais uma obra para deixar claro aos meus apreciadores que eu estou aqui, que existe um Rigoberto, que é um rapper único pela forma como escreve os seus versos, demonstra sua métrica. foi mais para demonstrar que na nova geração ainda existem bons rappers. Já a minha nova obra, tende a mostrar o meu outro lado, que é um Rap mais melódico, fazendo jus ao seu título. 


Qual é a mensagem subjacente neste trabalho?

Este trabalho conta uma história que se consegue perceber se o EP for ouvido pela ordem que nós colocamos e não ouvido de forma aleatória. História esta que foi contada em instrumentais com swings diferentes, diversificando assim o EP sem fugir do conceito principal.


A aproximação ao Ritchielly, o tipo de abordagens que levanta, faz-nos pensar que quer resgatar a mística do Hip Hop angolano. É mesmo isso que quer?
É exatamente isso que pretendo, porque hoje em dia a nova geração não é levada muito a sério, porque maior parte das músicas não tem um conceito que se torne intemporal para o consumo dos ouvintes. 

O título “O Meu Outro Lado”, remete à ideia de que não é o Rigoberto que se quer conhecer… Quer explicar melhor o  título?
Exactamente. Nós rappers normalmente não desenvolvemos outras faces, limitamo-nos apenas à nossa maneira de cantar, muitas “barras”, e com um tom meio agressivo. Este lado meu, mostra que, para além do que já faço, consigo fazer também um rap mais cantado, um rap mais melódico. Não sou propriamente um cantor de RNB, nem tenho uma voz totalmente apurada para tal, mas consigo fazer boas melodias e cantar com um tom mais suave. 

Rigoberto Torres reoxigena clássicos do Hip Hop no seu primeiro EP

Sinopticamente, de que é feito este EP?

Resumidamente, o EP é feito de samples de músicas de alguns dos grandes artistas que a nossa indústria já conheceu, desta forma estaremos a perpetuar o legado desses artistas com um toque mais moderno.

Participações de V Lex, Slim Boy, Papekas e Jackes Di, com vozes adicionais da Sofia Ferraz.  Por que não juntou nomes já consagrados?
Juntei alguns dos artistas que aprecio na nova geração e achei que se enquadrariam bem nas músicas que constituem o EP. Serão 4 músicas e apenas 2 têm participações, uma das outras duas contêm apenas as vozes adicionais da Sofia Ferraz.  

O que espera conquistar com este EP que não conseguiu com a mixtape?

Dando a conhecer a nossa nova geração quem eram esses artistas, levando à procura das tais músicas sampladas, e por outro lado causando um deja vu à geração que viveu aquela altura


A obra será publicada na sexta-feira, 14, depois disso o que virá?

Sim, estará disponível no dia 14 do mês corrente em todas as plataformas digitais, incluindo as nacionais como a Soba e-Music e Kisom. Depois disso podem esperar mais trabalhos da minha parte. Possivelmente um álbum, no próximo ano. 
Entrou na música por influência dos progenitores.

Quando e por que decidiu apostar na carreira profissional?
Comecei a cantar profissionalmente em 2019, mas entrei na música em 2012. Foi obra do acaso apostar na carreira profissional, não foi algo que parei um dia e pensei “agora apostarei em carreira profissional”, até porque eu fazia Rap apenas porque amo muito a cultura Hip Hop e via apenas como um hobby, para me tornar mais profissional foi um processo gradual, não foi da noite para o dia em que decidi isso. Recebo sempre apoio da minha família e amigos e dizem-me que tenho potencial, então por que não apostar ?!

Que expectativa tem em relação à sua carreira? 
Espero ser visto como um grande artista, espero servir como fonte de inspiração para muitos, por ter dado o meu contributo à cultura. Espero ser visto como alguém que revolucionou a nova geração e não ser apenas mais um rapper por aí, a minha intenção é impedir que as minhas obras sejam descartáveis. Sonho ouvir alguém dizer: “as tuas obras marcaram a minha juventude”, ou que usaram as minhas músicas para ultrapassar determinada situação nas suas vidas. 


Se sente confortável cantar com samples?

Sinto-me bastante confortável a cantar em samples, mas não tenho preferências nesse caso. Tudo que me deixe explorar a minha criatividade e criar melodias à volta disso é perfeito para mim. 


Está apenas no começo da carreira, já conseguiu definir se segue o comercial ou o Rap de intervenção social?  
Vou dizer que enquadro-me melhor do Rap comercial, porque ainda não lancei músicas em que me debruço sobre problemas sociais, mas não é algo em que eu me sinta incapaz, consigo fazê-lo, apenas nunca palpitou-me esta ideia.


Boom Bap e Trap que tem a dizer? 

Difícil de responder porque eu posso afirmar que sou bom nas duas vertentes, mas a minha base como rapper é o Boom Bap, porque é a vertente do Rap em que eu aprendi a elaborar os meus versos, desde os meus esquemas rimáticos aos meus jogos de palavrasÉ ao boom bap que eu recorro quando preciso de inspiração para escrever algumas rimas. 


Que valores acredita que a música pode acrescentar ao Rap angolano?
A minha música vem com intuito de enriquecer a cultura Hip Hop desde o nível de instrumentalização. Em termos de beats, a minha métrica são algumas habilidades que eu demonstro para animar o meu público e no concerne às letras, elas irão trazer uma estrutura mais madura das letras actuais no que toca ao texto e desenvolvimento de temas, de modo que seja perceptível para todas as idades, porque eu estou muito dedicado. 

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