Yunami: O rapper que representa Angola nos palcos da Hungria

Yunami traz a consistência e uma irregularidade nos versos que já não se ouve nos rappers de hoje. O músico nasceu no Sambizanga e vive actualmente em Debrecen, Hungria. Foi em Luanda que começou a cultivar a veia artística e quando chegou ao país europeu , fez o seu nome e tornando-se o primeiro e o único representante do Rap angolano naquelas paragens. Com sete anos de carreira, gravou três projectos musicais, incluindo vídeclipe, com o suporte da Carga, Yunami apresenta-se ao mundo.

Começou a desenvolver o gosto pela música em Luanda. Quando é que sentiu a necessidade de apostar seriamente na carreira artística? Propriamente no início de 2013, quando meu primo produtor incentivou-me a deixar de ser ghost writer e fazer músicas para mim mesmo, ele produziu, eu fiz a composição e gravamos a minha primeira música, que se intitula “Verdades Ocultas”.

Quando é que chegou a Hungria e como foram os primeiros contactos com as produtoras? 
Vim cá em 2018 por formação. Estudo Gestão e Administração de Negócios. Não tive contactos com produtoras inicialmente, estabelecia apenas com as angolanas, que já conhecia, só depois de gravar o meu vídeo foi quando recebi propostas de produtoras locais.

E foi assim que começa a acreditar mais no sonho de ser rapper?
Não, eu sempre fiz música como uma forma de melhorar a mim mesmo, de auto-evoluir as minhas capacidades com a escrita e, quando dei por mim, já estava intimamente ligado a arte no geral, mas posso dizer que vir para Europa melhorou o meu envolvimento com a música no geral.

Como foi isso no princípio, teve que esquecer tudo que estava a construir em Angola?
Estar aqui chega a ser um pouco melhor para artistas independentes como eu, há uma facilidade em produzir música, desde a aquisição dos materiais e a distribuição. O que chega a ser um exercício caro em Angola.

Qual é a sensação de fazer música na Europa, sendo angolano e está habituado às sensações luandenses? 
É uma sensação muito boa, já que tenho a oportunidade de observar de longe e melhor o mercado Rap Nacional. Existe uma concentração do estilo em Luanda, então é mais fácil absorver tudo fazer o meu escoamento e tentar produzir algo diferente. Então, é uma sensação muito boa.

Sabe que a sua forma de cantar se assemelha a de Bob da Rege Sense? Como é que nasceu esse seu lado?
Já e foram inúmeras vezes. Antes mesmo do meu primo convencer-me a cantar, eu ouvi o Bob em seu álbum “Bobinagem”, e fiquei maravilhado e passei a ouvir quase sempre. Quando lançou o álbum “Diários de Marcos Robert”, eu disse para mim mesmo que se tivesse de cantar um dia tinha de ser e soar como soava o Bob, achava que fosse a coisa mais normal, até perceber que não era, então decidi mudar e até aqui tenho tentando adquirir a minha própria identidade e desvincular-me da do Bob.

Já tentou gravar algo com ele? 
Nunca, apesar de algumas vezes ter-me comunicado com ele por meio das redes sociais. Mas é um dos meus maiores desejos enquanto rapper, poder partilhar uma faixa com o Bob, me sentiria mais do que realizado. Preciso, primeiro, atingir um nível não o mesmo em que ele está, mas um onde o meu trabalho possa ser visto por ele, e assim partilharmos um tema onde ele consiga se rever.

Possui duas mixtapes. Quando pensa apresentar o seu terceiro projecto musical? 
Tenho o meu terceiro projecto pronto já há cerca de 1 ano, só não disponibilizei ainda porque tenho estado a procurar a melhor maneira de divulgar junto de alguns sites e nomes, para que este não tenha o mesmo caminho que os outros projectos.

A nível de participações o que traz nesse novo trabalho? 
Sou muito fiel aos artistas com quem trabalho durante estes anos todos, então não houve uma enorme mudança. No vocal trago artistas como Khriz de Carvalho, Bruno Love, Málua Dácio, Kieny, Anazus, Sidjey, Xiribuh e  Alberta Canjungo. Quanto aos rappers, tem o Luso, Killer Mc, ND Midas PL Palestino e Jgef.

Falou dos projectos anteriores que não foram bem sucedidos. Que estratégia tem adoptado para se dar a conhecer ao mundo? 
Considero essa entrevista uma das estratégias, fora isso procuro sempre divulgar as minhas músicas nas minhas redes sociais, em rádios (Show Time) e  nos blogs de Rap nacional, tal como o Cenas Que Curto, Hip Hop Angolano, Underground Lusofóno, Movkool e no site brasileiro Noticiário Periférico.

Yunami: O rapper que  representa Angola nos palcos da Hungria

Como faz para promover a sua carreira na Hungria? 
Inicialmente, tive de me enturmar no grupo de artistas que encontrei cá, vou participando em álbuns, EPs e singles.

Que palcos normalmente se tem apresentado?
Geralmente em casas nocturnas. Frequentava mais palcos em Angola, numa fase embrionária da minha carreira.

O tipo de poética que traz, não é muito cultivado no Rap angolano. Qual são os seus planos com isso?
Para mim, é mais que improvável que esse lado em mim morra, uma vez que todos os artistas a quem me inspirei tiveram e têm a mesma linha de pensamento, é triste o excesso de futilidade que vem sendo consumida ultimamente, mas eu ainda creio que existem pessoas que se agradam com o tipo de poesia que eu exalo nos mikes.

Quando é que pensa regressar ao país? 
Gosto viver entre o presente e o futuro, apesar de muitas das vezes dar mais sentido ao aspecto carpe diem, o meu foco aqui está na formação o resto hei-de ver assim que concluir.

Com que artistas vai se associar assim que vier a Angola? 
Nesse momento não existem muitos e os poucos que admiro têm trabalhado muito pouco. Mas os meus desejos antigos são Paulo Flores, Kool Klever e Sanguinário. Um artista novo seria o Paulelson.

Como é que está o Rap angolano na Hungria?
Não existe Rap angolano na Hungria, uma vez que sou o único artista Rap cá.

Até onde está disposto a para defender a sua musicalidade?
Não tenho pretensões de ocupar espaço algum, mas quero muito poder transformar mentes e revolucionar atitudes de forma positiva com a minha música.

Quais são as suas referências artísticas?
Bob da Rage Sense, André Mingas, Nas, J. Cole, Kalibrados, Army Squad, Wu- Tang,  Bob Marley e Lucky Dube.

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