Yuri da Cunha: “Mais do que lançar um disco, quero ajudar a contar a história musical de Angola”

Com quatro shows programados para os dias 9, 10, 17 de Abril e dia 1 de Maio, Yuri da Cunha vai cantar Teta Lando e reafirmar o compromisso de ser a “ponte” entre a nova geração e a historiografia da música popular angolana.

Depois de prestigiar Artur Nunes, na nova temporada do conceito `Yuri da Cunha canta´, Teta Lando é o artísta da vez e, na qualidade de exímio intérprete, vai memorar canções que transportam a mensagem poética e popular de uma Angola sessentista.

Porém, não só de cantos será feito o certame. Movido pelos seus ideais, Yuri vai propagar a tradição oral por meio de história e vivências do incontornável ícone, num live descontraído, marcado para o dia 7 de Abril, com amigos e familiares de Teta.

No mais, à Carga Magazine Mr. Pulungunza assegurou que esta temporada de shows é uma mensagem de amor que atravessa gerações.

Yuri da Cunha: “Mais do que lançar um disco, quero ajudar a contar a história musical de Angola”

O projecto `Yuri da Cunha canta´ começou com Artur Nunes e já tem um tempo desde que foi concebido, como é para si voltar a este conceito?

Sempre interpretei os grandes nomes nos meus shows, nunca deixei de fazê-lo. Infelizmente a essa altura, a pandemia nos tirou dos palcos… mas faz parte da minha vida interpretar estes grandes nomes da nossa praça, faz parte daquilo que é para se continuar a ser angolano.

Está empenhado nisto há já algum tempo, qual tem sido o retorno?

O retorno é lento. Sou daquelas pessoas que os projectos são feitos a longo prazo, eu penso numa Angola para daqui a cento e tal ou duzentos anos.

Por quê num futuro tão longiquo?

Porque Angola não pode existir só enquanto estou vivo, Angola vai existir para os meus netos, bisnetos e vai continuara a ser um país. Não estarei aqui, mas sei que eles saberão que existiu um Yuri da Cunha e que o avô ou bisavô lutou com honra para que Angola seja um ponto de Amor, equilíbrio e muito cultural.

É visívelmente pujante em si o exemplo desta Angola musical sessentista…

Neste momento vivo um bocadão das histórias musicais e de vivência de pessoas como Teta Lando, daí eu fazer esta homenagem, o que quer dizer que se há sessenta anos, quando Teta Lando começou a cantar, começou a fazer a sua música de forma a criar uma condição melhor para o angolano, eu quero fazer o mesmo. E se perguntar o que quero fazer de agora em diante, a resposta será: quero servir a minha nação, porque também já fui servido.

Mencionou que o retorno por estas “redescobertas” tem sido  lento. No seu entender, o que estará na base disto?

É normal, são processos. O país, nós enquanto estado, não estamos todos juntos nas causas nobres e muita gente vai fazendo o caminho inverso e,até fazermos todo mundo entender que lagartixa não é jacaré, vai levar bastante tempo e não estou preocupado com este tempo, pois o importante é começar e a força da vida, fará com que as coisas cheguem no seu tempo, aliás, ninguém sabe o que Deus tem programado para nós e para aqueles que não são de Deus, ninguém sabe o que o universo tem preparado para nós.

Não é claramente um trabalho só da classe artística…

No fundo não há um trabalho colectivo para educarmos e ensinarmos as nossas pessoas a perceberem quem elas são, é importante que se faça isso e que a classe política principalmente tome nota sobre isso, pois são fundamentais para o processo de crescimento, valorização e integração do angolano e da sua matéria.

Em que aspectos é que o Covid-19 influenciou a sua vida?

Mudou muita coisa, comecei a ter mais tempo para mim, a cuidar mais de mim e me percebendo mais e assim passei a ter melhor percepção sobre os outros, sobre o respeito, perdão, a dinâmica da vida, sobre como encontrar tempo para construir Angola. A pandemia, no fundo, não me trouxe coisas más.

Tirando as mortes que causou no mundo e atrapalhou muita gente, a mim trouxe momentos para reflectir, trouxe o 3G, trouxe o 4.0 e O Reino, musicalmente foi um saldo positivo, pessoalmente distanciou-me de pessoas, sou muito ligado ao toque e com a pandemia o toque fica distanciado e tem sido difícil.

Fale-nos sobre o Mr. Pulungunza?
Não é o meu álbum mais recente, Mr. Pulungunza é o nome que dei ao alter ego. É o Yuri da Cunha com muita força, muita pulungunza, logo, chamamos o Mr. Pulungunza para fazer aquilo que não fiz na minha juventude, por causa da minha responsabilidade com o Semba e com as músicas de Angola. O Mr. Pulungunza entra um pouquinho na música jovem de África.

E para quando está previsto o lançamento do seu próximo trabalho musical?

Por agora, estamos mais preocupados com estes shows e mais do que lançar um disco, nós queremos afirmar coisas, queremos ensinar as pessoas a perceberem a música de Angola, não só com falas, mas é importante falar, estarmos juntos. É importante fazer o Show `Yuri canta Teta Lando´, como fiz `Yuri canta Artur Nunes. É preciso fazermos para se conhecer a história, porque o futuro começa no passado e sem passado o povo não tem história, e nós temos muita história para se contar que, infelizmente, não foi contada há tempo, nós estamos a contar a nossa parte musical, e será contada um dia.

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