Jamayka Poston regressa ao game e é o primeiro PhD angolano a cantar Rap

Jamayka Poston  carrega o ritmo, a arte e a poesia no sangue, com mais de 25 anos de carreira, foi o primeiro a dropar em Kimdundu. Depois de algum tempo ausente, regressa ao game com músicas e EP novos e tem espectáculo agendado. O veterano não é muito de entrevistas, mas aceitou o desafio da Carga para falar sobre o seu invejável percurso artístico.

Como é que se deu o seu envolvimento com a música?

Nos anos 80, comecei a dançar em Viana, passei do Techno para Break Dancing e no princípio dos anos 90, comecei a compor e gravei minha primeira música intitulada Quem São Eles Sem Nós”.

Depois disso, o que se seguiu?

Em 2002, lancei o álbum “Benga” e mais tarde tive a colaboraçao com o grupo Waflash, do Senegal e uns membros do Positive Black Soul do Senegal, Ray dos Black Noise e um grupo sul fricano e formamos o projecto Pana Africano Young Africa, com os quais fiz vários shows e culminou com a actuaçao na Conferência Mundial sobre o  Racismo. Também nos anos dois mil, com os Black Noise formamos os Conquering Lions e desta junção resultou um álbum com o mesmo nome publicado em 2006. Daí em diante, foram shows e concertos. Em 2015, depois de muito tempo ausente, gravei a música “Polígamo Assumido”, lançada este ano nas platforma digitais.

Ao regressar, como encontrou o mercado?

Não olho para mercado, eu faço o que devo e quero fazer. Respeito os que lá estão. Há espaço para todos.

O quê marcará o seu retorno?

Lancei no dia 6 um novo single. Em termos de projectos seguirão vários singles e gravações dos respectivos vídeos, tudo isso irá culminar com o lançamento do EP e um show de apresentação.

Conte-nos um pouco sobre isso?

São músicas que estou a gravar e terão participação de Ngadiama e Loromance. É mais uma forma de reintrodução ao mercado e dar nosso contributo musical. O EP ainda está sem data e titulo, mas com certeza, sai próximo ano.
Quanto ao espectáculo, requer um estudo, mas talvez próximo ano no final.

O tempo passou e com ele se foram muitas coisas, que mensagens traz?

Mensagem que retratam sobre o amor , a fome, os problemas sociais, a poligamia e a xenofobia.

Onde é que sua música é mais consumida?

Na africa do Sul. Até porque vivi da música o tempo que lá estive, mas sempre senti o amor e o carinho dos angolanos, posso contar quantas vezes actuei em angola já fora não.

Qual a percepção que tem sobre o rap angolano?

A percepção é que para o contexto em que estamos há muitos fazedores na nova vaga com outra visão e contexto, fazem-no diferente, mas acho isto normal. O tempo passa e as pessoas crescem. Acho estar boa porque acompanho muitíssimo pouco.

Como resume a sua carreira ao longo de quase três décadas?

Aconteceram muitas coisas importantes. Fiz tournée pela Europa, participei na Conferência International sobre o Racismo. São tantas coisas boas.

Procuramos por algum vídeo clípe seu, e não encontramos.

Fiz quatro no passado, mas não foram muito divulgados, não era epóca das redes sócias na altura. Fiz um da música “Baby Mizé”, outros do “Conquering Lions” , “Heal The Hood” e “Benga”.

A que produtora esta filiado?

Nunca estive. Nunca quis depender, estou associado à Benga Records, que é minha e sempre trabalhou comigo fora. 

É o Secretário-geral da Escola Superior Pedagógica do Kwanza Norte. Em que área se formou?

Gestão Pública com a tese de mestrado sobre a “privatização como política macro-económica”, Fuga do Cérebro, no doutoramento.

O que vai fazer para conciliar a carreira de académico com a de músico?

Sempre fiz as duas coisas, é fácil. Embora seja complexa, porque a música é exigente quanto à gestão do tempo e disciplina.

Até que ponto o grau académico poderá influenciar suas abordagens?

Existe um elemento na cultura que é o conhecimento. O grau académico  ou mesmo a formação, permitiu-me sim adquirir conhecimento e ver as coisas em outros prismas. No fundo é só um titulo académico.

Debatemo-nos com a fraca produção científica no país. O que o Dr. João Mateus Domingos já produziu ?

Tenho um livro publicado na Alemanha “O Impacto Sócio-económica da Privatização”. Está em inglês. Os outros estão em negociações

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