Martírio: OPPY narra cenário actual de Angola na primeira obra discográfica

OPPY é o alter ego de Osmar Pessela, um jovem rapper de 23 anos, que traz na sua obra discográfica de estreia uma visão alargada do cenário periférico luandense.

Nascido em Angola, OPPY reside actualmente na Índia, desde os 17 anos, viu um refúgio no Hip Hop/Rap, uma forma de expressão e afirmação.

Em 2014 lançou a sua primeira Ep intitulado “Onírico” E em 2018 OPPY trouxe o (P.A) “Phedilson Ananás” para uma faixa intitulada “Horizonte”, single bastante aclamado pelos fãs.

Numa breve entrevista, o rapper independente confirma que o álbum Martírio estará disponível hoje a partir das 18 horas e conta as vantagens de ser um artista não residente em Angola.

A partir de que momento é que a música cruza o seu caminho?

A música cruza o meu caminho aos 9 anos por influências dos meus primos mais velhos, que já faziam rap na altura, então eu sempre tive contacto com o rap desde músicas, vídeo clipes e os freestyle que eles faziam todos os dias.

É independente ou tem alguma produtora na back?

Sou um artista independente e fundei uma label de artistas independentes a “Oniric Máfia”. Temos o nosso próprio estúdio de gravação e fazemos tudo desde instrumental até as artes gráficas das nossas músicas.

O Rap desde sempre foi o seu estilo de eleição?

Sempre. Eu desde pequeno vi muito brilhantismo no estilo e tentei fazê-lo da melhor forma possível

Boom Bap ou trap, onde se enquadra?
A minha identidade é, e sempre será o Boom Bap.

Porquê?
Devido às minhas influências no Rap, “Nós somos o que comemos”. Actualmente também faço trap, mas é algo muito actual que tenho estudo acerca para fazê-lo da melhor forma.

O que é mais importante para si, o beat, as linhas ou a métrica?
Mais importante para mim são as linhas.

Dois projectos lançados e várias participações, qual é o balanço desta trajectória?
Embora ache que estou numa fase embrionária, faço um balanço positivo e as pessoas gostam do que faço, acho isso muito importante: saber que as pessoas sentem aquilo que eu quis transmitir.

O que traz de novo para este mercado?
O meu Rap tem muito influência do Rap passado e adaptei-o com o contexto actual, por isso me vão ouvir num beat de trap a trazer as minhas mensagens e perspectivas de vida.

Em termos de visibilidade, como avalia a sua carreira actuamente?
Eu sinto que ainda não tenho carreira, sinto que estou a construí-la, mas visibilidade é positiva porque consigo fazer chegar a minha música a quem quero que chegue, embora com poucos recursos, mas conseguimos.

Quais as maiores dificuldades que tem encontrado para solidificar a carreira?
Por ser um artista independente, faço tudo então acaba por não sair tudo na perfeição… uma das grandes dificuldades é a expansão da minha música e vários lugares.

Quais são os artistas em que se inspira e quais as características que o “atraem”?
A lista é muito vasta, mas vou resumir.
Em Angola: Nos manos do meu grupo, J.KEI e o Nunu, Fly Skuad, CFKAPPA por ter uma escrita única e uma perspetiva bem diferenciada.
No Brasil eu tenho com influência o rapper BK e o Sant, são rapper que eu chamo de lunáticos rimam o imaginável eu aprecio muito isso e em Portugal: Valete, Sam The Kid e Slow J, pelo excesso de liricismo.

No álbum `Martírio´ traz participações de J.KEI, Bauer MC, Mario K e Chelsea. Considera indispensável este intercâmbio de ideias com outros artistas?
Sim. nNa verdade , acho que só se consegue chegar longe com várias ideias e desde que eu decide convidar estes artistas todos eles independentes também, as músicas tiveram o resultado que eu esperava.

O que difere o álbum que vai lançar hoje dos projectos anteriores?

A musicalidade e o conceito, no Martírio trouxe uma musicalidade mais actual, uma mensagem bastante forte e uma afirmação de preto no poder.

De acordo com o que fez saber, o objecto social do álbum é o cenário actual de Angola… é seu objectivo enquadrar-se na intervenção social?
Sim, e sempre relatei factos nas minhas músicas e sempre estarão presentes. Na verdade, falo de citações que vivencio e também é uma forma de falar pelos oprimidos e abrir mentes.

Quais as expectativas em torno deste álbum?
Honestamente, espero que um grande número de pessoas ouça e perceba o que tentei transmitir por se tratar da na situação.

Considera mais vantajoso ser um artista não residente em Angola?
Em parte sim, porque fora de Angola tenho mais recursos como artista independente. Consigo movimentar melhor a minha música e fazer coisas que no meu país teria algumas dificuldades.

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