Osvaldo Aprumado: “As produtoras de renome em Angola vendem falsas esperanças aos novos talentos”

Osvaldo Aprumado ainda não é consagrado, mas pode vir a colocar o seu nome no topo mais alto do Kuduro e do Afro House em Angola. Natural do Rangel, em Luanda, canta há 9 anos e, apesar de não conseguir uma “daquelas” oportunidades, lançou um EP e em breve vai colocar no mercado mais um novo projecto musical acompanhado de vídeoclipe. O jovem de 25 anos conta à Carga como está a desenvolver a sua carreira musical.

Como descobre o gosto pela música?
Descobri aos 11 anos no Rangel, pertencia a uma “staff”. Tivemos a necessidade de ter uma música para agradar o grupo , depois a música ganhou repercussão no bairro e desde aí nunca mais parei.

Como é que as coisas começam a caminhar para o profissional?
Desde o momento que recebi elogios dos kambas e apareceu um produtor que quis trabalhar comigo , depois conheci um amigo no bairro Kapalanga, em Viana e formamos um grupo designado Os Aprumados, desde aí vi que tenho muita inclinação pela arte, a música.

O estilo que se dedica é acusado por muitos de ser descartável, por preferir o ritmo a mensagem. O que vai fazer de diferente? 
Tento mudar e primar mais pela mensagem. Mas também dentro do estilo que faço há bons artistas, preocupados com a  mensagem. Temos ou tínhamos o Bruno M, agora o Nato P3 e o Bebo Clone. São essas as pessoas em que me inspiro e pretendo seguir seus passos.

O que tem produzido ultimamente?
Tenho um projecto e músicas novas para serem lançadas dentro em breve. Há uma semana, gravei um videoclipe novo de uma música também nova, que está prestes a sair, até porque se continuarmos esperar o Covid-19 terminar ou minimizar não vamos fazer nada o ano todo.

Para além disso, que outras músicas possui?
No total tenho 10 músicas a solo disponíveis e outras em estúdio prestes a sair. Tenho tracks como “Makongo” , “Minha Banda” , “Entregou” “Sai da Casa da Velha” , “Vida do Guetto” , “Maka Grossa”.

Já tem muitas músicas. Nunca pensou em reuni-las num EP?
Já tenho um EP intitulado “Impacto”, com quatro faixas musicais e traz as participações de “Maka Grossa” ft Rud Tokes, “Mostra As Coisas” Ft Spantú Swagg & Walter Silva, “Makongo” ft Josimar Mussito, Reboladas ft Dj kinny Afro Beatz.

Falou em viver na periferia. Como é consegue promover as suas músicas e carreira, uma vez que está distante de onde as coisas acontecem?
Procuro juntar-me com os fortes e os melhores que têm no meu bairro (produtores e músicos),  para promover as minhas músicas e carreira. Mas não é fácil. Eu mesmo “batalho” e custeio as minhas cenas, bem a pouco tempo criei uma associação com uma agência de artista (Dream Entretenimento) e tem me ajudado muito no que diz respeito a carreira e actividades.

Nunca se interessou em se associar a uma produtora? O qual foi a resposta?
Já sim. Mas as produtoras de renome em Angola  tem uma conduta muito diferente no diz respeito a um artista não consagrado, vendem falsas esperanças aos novos talentos. Deram-me muitas falsas esperanças e desde aí preferi eu próprio me “ajeitar” e custear os meus trabalhos.

Qual tem sido a sua maior dificuldade?
Expandir o meu trabalho ao nível mais alto, resumindo e concluindo dificuldades financeiras.

Com isso tudo que tem enfrentado, ainda pensa ser alguém com a música ?
Claro. Quero atingir os holofotes dos media, ser reconhecido nacionalmente e posteriormente lutar para internacionalizar a minha carreira. Eu sei que consigo. Continuo a lutar. Tenho foco, fé, coragem e determinação. Eu sei que vou conseguir.

Como é que se define como artista?
Sou um artista batalhador , e sinto-me completo e versátil. Corro atrás dos meus sonhos, nunca vou desistir até os alcançar.

Quando as vai apresentar o novo projecto e videoclipe?
Vai sair já este ano e vem acompanhada do seu vídeo. Já está tudo pronto só falta o lançamento. Vai ser uma música contagiante e que vai tocar em todos os contos da cidade de Luanda. A Carga vai testemunhar.

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