Cláudio Fénix: “Foi preciso passar por dificuldades para valorizar o nível e as coisas que conquistei”

Com todas as provas dadas, Cláudio Fénix já não é uma promessa, mas sim uma certeza no panorama da música nacional. Numa conversa descontraída com o artista que actua hoje às 20 horas no #festivalmusicanokubico, através da sua conta de instagram (@claudiofenixofficiall), ficámos a saber de onde vem e para onde vai.

Não é propriamente um nome novo na música angolana, quando é que esta aposta começa a ganhar maiores proporções?
A partir do momento que surgiu o meu manager Celso Silva, daí as coisas começaram a ficar mais sérias porque, começamos a trabalhar em vídeoclipes e começamos a ter um trabalho mais sério, visto que naquela altura não tinha meios de promover a minha música então tornou-se mais séria porque realmente queríamos investir  e a partir do momento em que comecei a ver os resultados, comecei a perceber que realmente estava a trabalhar em algo grande.

Conta seis anos de carreira, a aceitação foi imediata?
A princípio tínhamos uma música intitulada Recuso-me e depois lançamos o Não maya, foi necessário algum tempinho porque precisávamos de promover o produto Cláudio Fénix, mas depois de um ano as coisas começaram a acontecer.

Considera que teve um início de carreira difícil?
Acredito que nada nessa vida é fácil, e as coisas difíceis é que nos tornam mais fortes, e foi preciso passar por essa fase difícil para valorizar o nível em que cheguei e as coisas que conquistei, e para fazermos as coisas acontecerem é preciso acreditarmos no nosso potencial e nas coisas que temos trabalhado.

Onde considera-se melhor, na composição ou interpretação?
Isto é relactivo, não consigo fazer nada que não esteja a sentir. Mas acho que nas duas coisas sou muito bom, procuro sempre dar o meu melhor, porque isto é uma energia, quando tu te entregas de corpo e alma as pessoas conseguem sentir a mesma energia nas tuas músicas e composições.

A Chasing Dreams é a sua produtora desde o início da sua carreira. Como é essa relação?
Temos estado a trabalhar durante seis anos e durante este tempo, penso que foi bom os resultados, cujo balanço é bom e positivo, lançamos o álbum, que está a ser muito bem recebido.

Cláudio Fénix: “Foi preciso passar por dificuldades para valorizar o nível e as coisas que conquistei”

Considera então que um grande músico só se faz com uma boa produtora por detrás?
Acredito que quando fazes um bom trabalho só precisas das pessoas certas para encaminharem o teu trabalho. Diante disso penso que, sozinho consegues ir rápido, mas com o devido suporte chega-se mais longe.

Quanto ao seu primeiro álbum, está a corresponder expectativas?
O álbum teve uma aceitação positiva e a prova disso é que no dia 9 de Maio, íamos fazer o meu primeiro show. E posso dizer que o feedback tem sido muito positivo, podemos medir pelas redes sociais, e pelo público em geral.

Além do seu primeiro grande show, quais os projectos que tem em carteira para 2020?
Neste momento estou a trabalhar em novas músicas preparadas…

É daqueles músicos que nunca para de compor e gravar?
Sempre que possível, estou em estúdio para trabalhar. Gosto de criar, porque me faz bem, olho para música como um calmante, me traz paz e não consigo viver sem.

Com que periodicidade é que lança músicas novas?
Primeiramente fazemos um estudo de mercado, eu e a produtora e vemos a altura certa para lançá-la. Não olhamos para isto como uma obrigatoriedade, reunimos para tentar perceber se é ou não a altura certa.

Acredita que fazer um show cujo cartaz não tenha convidados é um bom barómetro para medir a popularidade?
Isto é relactivo, vou dar um exemplo. Há sensivelmente três meses perdi a minha conta do Instagram e achei que não fosse recuperar o mesmo número de seguidores, e, no entanto, já tenho 20 mil seguidores outra vez. Isto é a prova de que quando fazes um bom trabalho as pessoas sentem isso, o importante é fazeres o teu trabalho, porque as pessoas têm o direito de vir ou não. Como é o show do álbum “Vivendo sonhos”, tive algumas participações, são essas pessoas que estarão no meu primeiro grande show.

Está realmente a viver um sonho?
Com certeza, é uma coisa que fui almejando durante muito tempo e para ser sincero não foi fácil chegar até aqui, tive muitas dificuldades e não tem sido fácil até agora… está a ser realmente um sonho.

Considera que exista alguns prós e contras em ser artista em Angola?
Existem sim, é como tudo na vida… é muito bom ser artista, mas nós passamos por situações que as pessoas não têm noção e só vêm o lado bom da coisa, mas os esforços, sacrifícios (a parte que nós tentamos manter oculta dos nossos fãs), mas que de certa forma é uma coisa que vale a pena porque quando recebemos o apoio e carinho dos nossos fãs, esquecemos todo esforço, cansaço, noites mal dormidas, realmente vale a pena.

Compensa financeiramente?
Dá para manter as coisas em casa e organizar muitas outras. De um tempo para cá, muitas coisas na minha vida pessoal mudaram e isto é graças à música.

Falando em vida pessoal, é possível diferenciar o Cláudio do seio familiar do Cláudio artista?
Penso que o carácter é uma coisa tua, vais ser sempre o mesmo, embora haja algumas coisas que como Cláudio posso fazer, mas como Cláudio Fénix uma marca/produto não. Mas em condições normais sou uma pessoa descontraída, algumas vezes meio “parvinho” porque gosto de ter as pessoas ao meu redor felizes, mas em televisão sou mais contido.

Quais os limites do Cláudio Fénix?
Enquanto produto devo proteger aquilo que é a boa imagem para se manter num mercado tão competitivo como o nosso. Logo, existem cuidados que devo ter, não posso por exemplo aparecer mal-amanhado num centro comercial. É uma coisa normal a meu ver, mas as pessoas julgam muito, querem que sejamos simples, mas não muito simples. Querem nos ver, mas não querem que apareças muito.

Está efectivamente a dizer que o público dita não só a carreira, mas também o dia-a-dia do artista?
Nem sempre.

Então quem é quer que “os artistas sejam simples, mas não tão simples”?
São determinadas regras que eu já encontrei… enquanto artista não posso ir muito a festa, tenho que me preservar porque a imagem vende e não podes estar exposto para não ficar vulgar.

Quem dá estas regras?
Não é que seja algo ditado por alguém, mas o showbiz é assim. É visível que um artista que muito aparece em festas e afins, perde um pouco do respeito e admiração dos fãs.

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